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Bicentenário do nascimento de Tarás Chevtchenko
06 março 2014 15:18

Este ano, no dia 9 de março, em todo mundo comemora-se o bicentenário do nascimento do maior poeta do povo ucraniano Taras Chevtchenko. O bicentenário foi incluído no calendário das datas festivas da UNESCO.

Desde a infância Chevtchenko, nascido na família de escravos, tinha a paixão por desenhos e procurava possibilidades de aprende-los. Aprendia a pintura do mestre de São Petersburgo Vassili Cheriáiev. Juntamente com outros alunos, participava da decoração do Teatro Bolshoi e outros teatros de São Petersburgo.

O famoso pintor Karl Briullov e o poeta Vassili Zhukovski foram impressionados com o destino difícil do jovem talentoso e resgataram-no da servidão.

Já sendo livre, Chevtchenko estudou na Academia das Artes da Rússia e recebeu o título de Pintor.

Chevtchenko começou a escrever poemas ainda sendo escravo. A publicação da primeira coleção - "Kobzar" foi um evento de grande importância não só na história da literatura ucraniana, mas também para a formação da autoconsciência do povo ucraniano.

Suas obras literárias exultavam o espírito da luta de libertação e tiveram o sentido político-social, o que foi o motivo da sua prisão e exílio de dez anos com proibição para escrever.

No entanto Chevtchenko quebrou esta proibição e seguiu escrevendo em segredo. Pelas qualidades artísticas e significados ideológicos a lírica de Chevtchenko durante o exílio é uma etapa importante não só no seu desenvolvimento artístico, mas também na poesia ucraniana em geral, que adiantou a época literária e criou as bases para o desenvolvimento da poesia ucraniana no final do século XIX (Ivan Frankó, Lessia Ukrainka).

Após a sua libertação, Chevtchenko veio para São Petersburgo, onde participava ativamente da vida social, recebeu do Conselho da Academia das Artes o título do Acadêmico de Gravura.

Logo foi autorizada a publicação das suas obras escritas e saiu uma coleção intitulada "Kobzar", que consistia de poemas escritas antes do seu exílio.

Mas os anos de exílio abalaram a saúde de Chevchenko que ficou gravemente doente e morreu em 1861. A morte de Chevtchenko foi uma enorme perda para a literatura ucraniana e movimento de libertação. No entanto, as obras do poeta fizeram uma contribuição notável no desenvolvimento da consciência estética, social e nacional do povo ucraniano. Sua poesia tornou-se uma época no desenvolvimento da língua ucraniana literária.

Claramente visível o impacto das obras de Chevtchenko nas literaturas das nações eslavas (búlgara, checa, polaca e outras).

 

(A base das informações do site http://taras-shevchenko.in.ua/)

 

O Sonho

(fragmento)

 

Cada qual tem o seu destino,

Seu caminho vasto;

Um constrói, um destrói:

Com olhar nefasto

Os confins do mundo mede,

Busca a terra nova

Para espoliar e consigo

Levar para a cova.

Um descasca com baralho

Uma casa amiga,

Um afia às escondidas

A arma fratricida.

Um, quietinho, piedoso,

Manso, mas atento,

Como um gato se aconchega,

Aguarda o momento –

Zás! teu fígado perfuram

Garras venenosas;

Não adiantam choros-rogos

Dos filhos, da esposa.

Um, magnânime, edifica

Igrejas, capelas,

Diz-se o protetor da pátria

Acendendo velas

Ao beber seu sangue vivo –

Qual água, malvado,

E os compadres calam, tolos,

De olho esbugalhado.

Como ovelhas: “Pois que seja,

Talvez, é preciso.”

É preciso! Pois não reina

Deus no paraíso!

Vós que padeceis no jugo

Desta sina triste

Aguardais um céu na terra?

O céu – não existe.

É quimera. Tomai juízo,

Irmãos e inimigos:

Os filhos de Adão são tzares,

Tanto o são mendigos.

Mais aquele... mais aquele...

E eu, boa gente?

Dia e noite só festejo –

Triste ou contente.

As censuras não me atingem,

Ergo o copo cheio,

Pois eu bebo o próprio sangue,

Não sangue alheio.

Voltando ao longo do cercado,

À noite, após banquetear,

Assim me pus a matutar

Até chegar ao meu reinado.

Não gritam filhos no meu lar,

A esposa – não ralha,

Sossego se espalha,

Paira o divino bem-estar

Na casa e na alma.

Deitei-me, com calma.

E quando dorme um beberrão,

Nem dos canhões a salva

Consegue acordá-lo então.

Um sonho estranho vem ao ébrio:

Até o mais sóbrio

Queria estar embriagado,

O avaro teria dado

Um bom ducado, para olhar

Visões que tive ao sonhar:

Uma ave augural, escura,

Uma coruja taciturna

Levanta o voo sobre os prados,

Verdes campos e descampados,

Largas estepes, povoados,

Rios alados.

Eu sigo com pesar profundo,

Despeço-me do mundo:

“Adeus, mundo, adeus, terra,

País inimigo,

Minhas dores, minhas mágoas

Levarei comigo.

A ti, minha pobre Ucrânia,

Viúva sem sorte,

Visitarei das alturas,

Das nuvens da morte.

Vamos consolar-nos, tristes,

Com amor intenso,

Eu te cubro à meia-noite

Com orvalho denso.

Virei, até o sol desponte

E tu não mais chores,

E teus filhos se revoltem

Contra os invasores.

Adeus, minha mãe querida,

Viúva cativa,

Crie os filhos: Deus é dono

Da verdade viva!”

 

 

Tradução de ucraniano: Wira Selanski (Wowk)

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