Caros cidadãos da Ucrânia!
Existem cerca de cinco mil povos em nosso planeta. Seu retrato, arquétipo e mentalidade são uma confusa teia de eventos históricos para etnógrafos. Mas há uma coisa que, em minha opinião, descreve de forma simples, mas precisa, o caráter das pessoas. Estes são os feriados deles. O que une a todos é importante para todos. 21 de novembro é um dia desses. A resposta à pergunta: quem são os ucranianos e o que é mais importante para eles?
Hoje celebramos o Dia da Dignidade e da Liberdade, feriado que mostra que para nós dignidade e liberdade são uma festa. Este é o nosso ar.
Não. Não soa alto demais. Quando alguém decide bloquear nosso ar, daí que fazemos barulho. Quando as autoridades não ouvem o povo ucraniano, o barulho é muito alto.
É por isso que somos livres. Livres para criar o futuro. E devemos ter orgulho disso. Não empinando o nariz. Mas tampouco baixando a cabeça. Sim, pagamos e continuamos a pagar um preço alto pela liberdade. E nunca esqueceremos todos aqueles que deram suas vidas pela Ucrânia. E nunca iremos perdoar a todos que tiraram suas vidas e quiseram levar a nossa liberdade embora. Mas o principal é que ninguém conseguiu isso e nunca conseguirá.
Chegou a hora de mudar a autopercepção e o pensamento. Não somos vítimas, não estamos deprimidos, não estamos divididos, não fomos capturados. Somos um povo maravilhoso, forte, corajoso, inteligente e talentoso. Invencível.
Precisamente porque temos dignidade. Para nós, a escravidão é uma humilhação. A perda da liberdade é uma perda de honra. A perda da honra é a perda do coração. A perda do coração é a perda da alma. E a perda da alma para nós é a perda de uma vida. É por isso que estamos prontos para lutar às custas de nossas próprias vidas. Para não perder a própria vida.
Para nós, dignidade e liberdade há muito ultrapassaram o entendimento comum. Jamais esquecerei a história que nossos marinheiros contaram quando voltaram para casa. Eles estavam em cativeiro, mas não foram cativados em espírito. Os investigadores pediram que rissem um pouco mais baixo: "As autoridades não vão entender."
No lugar onde muitos choram nossos marinheiros estavam rindo sem parar. Em um camburão eles cantaram o hino da Ucrânia. E depois disseram ao motorista: "Chefe, para Odessa! Em Koblevo, paramos e vamos tomar um cafézinho."
Eles não se comportavam como prisioneiros. E eles permaneceram oficiais e soldados. Porque eles não perderam sua dignidade. E eles provaram que mesmo numa terra estrangeira, no cativeiro, na prisão, você pode ser uma pessoa livre. Porque liberdade não é ausência de algemas. Ela é a ausência de prisão em suas cabeças.
Vassyl Stus sabia disso com certeza. Quando uma onda de prisões de jovens criativos varreu a Ucrânia, na estréia de «Sombras de antepassados esquecidos», de Parajanov, ele se levantou e disse: "Todos os que se opõem às prisões, levantem-se “. Algumas pessoas se levantaram, depois mais, depois mais. Não se levantaram todos. Mas ele não estava sozinho. Stus sabia que, ao fazer isso, poderia perder sua liberdade, mas sabia também que se não o fizesse, definitivamente perderia sua dignidade.
Omelyan Kovch, um padre que resgatou judeus no Holocausto, dando-lhes registros de batismo, também sabia disso. Assim, ele foi enviado para o campo de concentração de Maidanek. E para não perder a dignidade, ele foi obrigado a perder sua liberdade para sempre. Na carta, ele se desculpou com os filhos por não concordar em ser solto mais cedo e ficar com eles. "Essas pessoas precisam de mim aqui. Sentindo que logo morrerão, todos vêm a mim para se confessar. Se eu for, eles ficarão sem esperança. Eles já foram privados de dignidade, honra, liberdade, casa, parentes, nomes, em breve tirarão suas vidas. Eu não vou tirar a esperança deles. "
Leonid Bykov não abriu mão dos princípios e da liberdade criativa. Por isso, para a filmagem do filme "Só os velhos vão para a batalha", ele recebeu a autorização de fazer um filme em preto e branco. Isso humilhou a sua dignidade? Pode ser. Mas ele a perdeu? Não. E ele fez um filme que é adorado por milhões. Não colorido.
Mas sobre pessoas que têm dignidade. E liberdade.
Como todos que ficaram na praça, nas barricadas, no granito. Em 1990, em 2004 e 2014.
Como aqueles que depois se encontraram nas trincheiras no leste de nosso Estado, para defendê-lo.
Todos. Diferentes. Os caras do Oeste e os guris do Sudeste. De falas diferentes. De Volyn, Odessa, Galicia, Dnipró, Transcarpathia, Bukovyna. Com a Cruz, com a Lua Crescente e com a estrela de Davi. De Kharkiv, de Ternopil, de Kryvyi Rih, de Ivano-Frankivsk.
Cherkasy, Vinnytsia, Mykolaiv, Chernihiv, Sumy, Kherson, Khmelnytsky, Zaporizhia. De Kyiv. Do Donbass, da região de Luhansk, da Crimeia.
Todos. Diferentes. Mas ucranianos e ucranianas. Defensores e defensoras. Todo mundo sabe: você deve ter dignidade e não se entregar. Porque os ucranianos não estão acostumados de se entregar. Porque têm dignidade. E portanto - liberdade!
Glória à Ucrânia!