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Exposição "Lealdade a si próprio não é crime!"
18 maio 2021 03:29

A infância é o tempo em que as memórias são mais brilhantes e as quais são lembradas durante toda a vida. Esse tempo não se repete e não volta atrás. A infância de muitas crianças na Crimeia terminou no dia em que representantes dos serviços secretos da ocupação russa invadiram as suas casas pelo início da manhã. Desde esse dia, nem as mulheres nem as crianças se sentem seguras. O seu modo de vida habitual desmoronou a partir daquele momento.

Ao longo dos 7 anos de ocupação, as autoridades russas cometeram perseguições e repressões em grande escala ao povo nativo da Crimeia: os tártaros da Crimeia – um grupo historicamente dissidente, que declarou abertamente o não reconhecimento da ocupação da Crimeia a 26 de fevereiro de 2014 e realizou um protesto em massa contra a ocupação.

Para reforçar o seu poder na península ucraniana, os ocupantes russos recorrem a prisões, a buscas forçadas em casas e mesquitas, bem como a interrogatórios aos residentes. Nos últimos anos, o Serviço de Segurança Federal Russo (FSB) e o Centro "E" abriram cerca de uma centena de processos criminais e administrativos contra os tártaros da Crimeia. Muitos dos réus nesses casos são parentes.

Atualmente, 200 crianças menores de idade estão sem pais. Em algumas aldeias, onde existem grupos compactos de tártaros da Crimeia, após as detenções, os bairros transformaram-se totalmente em "ruas só de mulheres". Muitas crianças precisam de longa reabilitação psicológica. Na casa de um prisioneiro político, os oficiais do FSB tentaram fazer uma piada: “Estamos a fazer um filme, miúdo. Não te preocupes!". Depois da “rodagem” desse “ filme”, em outubro de 2017, o pai do menino ainda não voltou para casa.

Quaisquer crenças religiosas não sancionadas pela administração da ocupação russa são criminalizadas na Crimeia. Desde 2014, 74 pessoas já foram presas por leitura de livros “proibidos” e acusados de terrorismo, no decorrer dos “casos Hizb ut-Tahrir” fabricados pela ocupação. Todos os detidos são reconhecidos como presos políticos pela coligação de ONGs ucranianas de direitos humanos, que protegem os direitos dos cidadãos ucranianos que sofreram com a agressão militar russa contra a Ucrânia. Os mesmos enfrentam penas pesadas de 15 a 20 anos de prisão em colónias corretivas de regime estrito e têm sua liberdade negada sem corpus delicti, em violação do Direito Internacional. Todos eles se tornaram reféns nas suas próprias terras, ocupadas e militarizadas pelas forças militares russas.

Entre os prisioneiros dos processos criminais do Hizb ut-Tahrir, mais de 10 pessoas são jornalistas civis, que filmaram buscas e sessões judiciais na Crimeia, defensores dos direitos humanos, voluntários e ativistas, que ajudaram famílias de presos políticos, recolhendo alimentos e roupas para os centros prisão preventiva.


Casos de perseguição por parte das tropas militares russas espalharam-se por toda a sociedade tártara da Crimeia e as suas consequências continuarão por muito tempo a ser sentidas na pele, pelos habitantes da Crimeia.

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